quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O excessivo

   Se lhe disessem antes que não se entregasse, seria como pedir para um cão que não fosse fiel a quem o alimenta. E foi assim que seguiu sua longa jornada para dentro de si mesmo, quando descobriu estar só. Mesmo reconfortado,só.
Quando não havia mais como se curvar - como um embuá remexido - e lhe causava naúsea saber mais sobre si, ele gritou e extornou sua soberba de não ser mais amado como lhe dissera a tal um dia. Antes era ele e agora é outro. Tirar o álcool do alcoólatra, ou o amor do amante asfixia na mesma proporção. Mesmo que o amor não fosse real, antes ele estava entorpecido pelas conversas na madruga, pelas cartas pseudo-romanticas e pela certeza de ter sua fonte ilícita de amor-escudo. Sua overdose.
O fim de relação é a abstinência selvagem do drogado amordaçado e exatamente assim vivia. E depois de algum tempo aprendeu a viver sem ela... depois sem os outros... sem si próprio... até apenas existir como se não tivessem existido.

Comme si de rien n'était...

Então estava absolvido. Fugiu do que pudesse ter o cheiro da antiga droga, se reergueu e pareceu sóbrio. E despejou o amor do cálice gritando por dentro ao mesmo tempo que matinha as aparências: calem-se!
Seu amor foi mal dosado, exagerado por querer viver demais e do ácido virou gélido. E se não bebesse da presença dela, não se sentia perfurado, apedrejado, esquecido num lençol de palavras. Deixou de ver desfocado.
Curou-se.
Hoje não responde mais aos chamados do entorpecente de carne, cheiro e alma com nome moreno, fingindo ser racional e tirando toda a grandeza de amar sem sobriedade. Ex-excessivo. Vive hoje limpo com um olhar molhado por cima de tantos boêmios sem medo de mais um gole e só mais gole desse tal amor rock'n roll que deixa o cérebro desnorteado.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A beleza do efêmero

Fotos do  http://melisaki.tumblr.com/










  '' A fotografia incide não sobre o objeto, mas sobre o  tempo.Nesse sentido, é subversiva e violenta.''
                                                                                                         ROLAND BARTHES

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Laura Marling - My Manic And I

                

                   tradução

   Vale muito a pena ver o resto dos dois albúns dela. Maravilhosa http://www.lauramarling.com/
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Posso estar na pior, triste ou machucado, mas não demonstro fraqueza, para não preocupar aqueles que amo.
                                    Fernando Engelberg


quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Você merecia ter caído várias vezes
mas não saiu, não ficou
se entrelaçou por alguma artéria irigando meu coração
Você devia ter surtado, pulado, agonizado
Enquanto eu chamasse a emergência e te engesasse
eu sou insaciável, mas me cobri de espinho
Você devia ter ido embora
você devia ter sido a rosa
você devia ter dito várias vezes oque calou-se no grito.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

CADERNO ABERTO

por Rafael Moreno



O terminado tem sempre razão. Porque quem desiste e encontra motivos é um covarde. E todo covarde é racional. Eu gosto dos que lutam, dos que choram, dos que esperam cinquenta anos: eu gosto dos Florentinos Ariza. O terminado tem sempre razão porque não desistiu. E, quando chora, é porque não queria que o outro desistisse. E quando liga às cinco da madrugada. E quando foge de comédias românticas. E quando insiste em não ouvir Cartola. Está sempre certo. Tem razão porque estava disposto a lutar. A mudar. A melhorar. A salvar. Quem desiste é um racional. É um covarde: enxerga defeito onde existe defeito. Encontra motivos. E todo covarde tem um milhão de motivos.

*
Em se tratando de amor, todo homem deveria ser uma mulher. A mulher acredita no amor eterno, no amor único, e mais: nunca vai deixar de acreditar. O homem, não. O homem é um lúcido. Acredita, mesmo, que não deve chorar. Acredita, mesmo, que não deve lutar. O homem é um conformado. E não existe pior canalha do que o conformado.

*
O tempo entrega a verdade. O tempo tira as máscaras. E você começa a reparar que a barriga dele está crescendo, a perna dela tem veias, ele se veste mal, ela sua no bigode. Começar a reparar numa celulite, numa preguiça para o banho. A se cansar do excesso de queixas, do excesso de carinho, de carência, do excesso de choro, de dias mal humorados. Ele arrota muito. Ela deixa o sapato na sala. Estraga comida. É pirangueiro. Tem chulé. Então você descobre que não quer viver o resto da vida com essa pessoa. E o erro é seu: você queria um amor cego.

Mas o amor não é cego. Ele é tudo, menos cego. O amor rochedo - aquele que, ao invés de dar inveja, dá esperança - enxerga tudo de ruim. E continua existindo. Existindo com estria, com ronco. Existindo com pagode, sertanejo. Existindo com bafo. Com peido. Com desculpas para não transar. O amor existe com dívidas, com liseu, sem férias. E mais: ele só existe, ele só acontece, quando os dois conseguem tirar as suas máscaras. Vai ver, sei lá, que ele só existe depois de 20, 30 anos.
*
Quem tem a natureza feliz não se permite viver um grande amor. Quer esquecer rápido. Quer voltar a sorrir. Não consegue lutar. Nem esperar. Os felizes não amam seriamente.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

"Pensamos demasiadamente, sentimos muito pouco
necessitamos mais de humildade que de máquinas.
Mais de bondade e ternura que de inteligência.
Sem isso,a vida se tornará violenta e
tudo se perderá."

Charles Chaplin


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domingo, 30 de janeiro de 2011

De  Caio Fernando Abreu
Inspirado em mim, só pode!


    E se perguntassem o que vem a ser o certo, Gabriela olharia com a cabeça torta como a de um cachorro quando parece não compreender o que se passa. O olhar de repente vidrado de quem tem sede de entender as coisas que acontecem ao redor. Ela não sabia amar, talvez. Então mais um amor havia ido embora, mais um amor havia chegado ao fim. Nessa imensa individualidade onde ninguém podia entristecê-la sempre cresciam espinhos. Espinhos para machucar aqueles que a machucavam, então assim não a tocavam. Não tocava porque o medo da mágoa não deixava que lhe tocassem, ou então havia medo porque não haviam tocado fundo o suficiente para que o medo não existisse. Que triste então estava sendo, mas Gabriela parecia acostumada. Acostumada e fria porque depois de tantas lágrimas, ela finalmente parecia ter secado. A maquiagem borrada em volta dos olhos tinha sido limpa na noite anterior. Quando Antônio e ela se encontraram; ela parecia inteira. Inteira porque não tinha ficado nada dela para trás. Seus olhos eram de desilusão, de cansaço. Cansada de construir sonhos, planos, fantasias. E depois da desilusão ter de destruir uma a uma, como se nada daquilo tivesse um dia existido, só para olhar para trás e não sentir nada do que sentira antes. Era mais um fim doído, choroso, arrastado. Fosse o ponto final sua última lágrima de dor, já havia então sido decretado. Decretado num discurso mudo, num adeus em silêncio. Dito através de tudo daquilo que não havia sido falado. Antônio não parecia prestes a dizer nada. Gabriela não diria; se pudesse escolher, teria ficado calada, mas lhe escapou: “Meu coração tá ferido de amar errado. De amar demais, de querer demais, de viver demais. Amar, querer e viver tanto que tudo o mais em volta parece pouco. Seu amor, comparado ao meu, é pouco. Muito pouco. Mas você não vê. Não vê, não enxerga, não sente. Não sente porque não me faz sentir, não enxerga porque não quer. A mulher louca que sempre fui por você, e que mesmo tão cheia de defeitos sempre foi sua. Sempre fui só sua. Sempre quis ser só sua. Sempre te quis só meu. E você, cego de orgulho bobo, surdo de estupidez, nunca notou. Nunca notou que mulheres como eu não são fáceis de se ter; são como flores difíceis de cultivar. Flores que você precisa sempre cuidar, mas que homens que gostam de praticidade não conseguem. Homens que gostam das coisas simples. Eu não sou simples, nunca fui. Mas sempre quis ser sua. Você, meu homem, é que não soube cuidar. E nessa de cuidar, vou cuidar de mim. De mim, do meu coração e dessa minha mania de amar demais, de querer demais, de esperar demais. Dessa minha mania tão boba de amar errado. Seja feliz.










sábado, 29 de janeiro de 2011

Críticas urbanas

   
    A impressão de que os grandes pintores, com suas técnicas e ideologias, ficaram em séculos passados e só se vê boa arte indo em museus é uma opinião que evapora quando se conhece o trabalho de Dan Witz. Com uma técnica muito além de só saber desenhar com detalhes sutis e crítica, muita crítica por cima de suas pinceladas. A realidade ocultada por  governos mesquinhos numa nova ordem tirana onde os excluídos estão atrás da porta ( ver série Dark Doings ) ou onde o cotidiano passa invisível camuflado na desordem ( ver séries Birds, Skateboarders, Streetart ).
Separei algumas do seção GALERY WORK 







sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Fotos retiradas de umas das galerias do flickr Gee See, eu adorei a ideia! Não é a primeira vez que eu vejo esse tipo de composição, mas não  deixa de ser criativo e sugestivo mostrando os grandes clássicos relembrados eternamente por pessoas comuns e anônimas. Misturando-se a nossa própria forma na rotina do dia-a-dia.









quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Não sei porquê, mas me deu vontade de postar o vídeo dessa música aqui . Vai ver é em homenagem à presença dela no Rock in Rio, não sei hahahaha

    

                      
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sábado, 22 de janeiro de 2011

O coração farpado

Amor é querer beijar e ser mordido
Lascas se soltam e ferem ...
Enquanto um se corta,
O outro fica com o resto que falta da roupa com cheiro de pele rasgada.
E não larga.
Do corte se estanca e sara.
Do coração farpado nada mais encosta
Aramado, protegido e enferrujado.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

TODA MULHER JÁ FOI POSTE UM DIA

por Maria Rita Angeiras




    Com o passar tempo, você finalmente superou. E um dia não foi mais tão estranho encontrar com ele nos lugares. Seu corpo aprendeu onde colocar as mãos sem que elas parecessem perdidas no seu próprio bolso. Seus olhos aprenderam a não procurar por ele nas festas e a passar de relance por todas as mulheres que seguravam o braço dele, numa mistura de ódio e simpatia, e também aprenderam a não chorar toda vez que ele fazia você se sentir mais uma na listinha dele. Seu cérebro aprendeu que essas coisas do coração doem demais e que você precisa pensar umas trezentas vezes antes de se apaixonar por qualquer homem minimamente parecido como ele. Sua boca também aprendeu a não te xingar baixinho de estúpida quando aquilo tudo voltava como um filme na sua cabeça. Sim, você aprendeu, a duras penas, e quando nem a sua mãe colocava mais fé no seu adorável dedo podre para homens. Aí o tempo passa, você toca a vida, e aqueles encontros com ele são só mais uns encontros comuns, como todos os outros, até o dia em que você resolve, espontaneamente, se interessar por um primo de quarto grau, um amigo afastado ou um conhecido dele, porque o mundo é pequeno mesmo, fazer o quê. Azar o seu, parte pra próxima. Assim como um cachorro quando passeia na rua, ele vai fazer questão de marcar o território dele, ou o ex-território, que nesse caso é você. Como? Fácil. Segurando a sua mão, pegando no seu queixo, mexendo no seu cabelo ou usando qualquer outra estratégia milimitricamente calculada bem na frente do seu prospect, deixando bem claro que ninguém é de ninguém, mas só até o momento em que ele balizar alguma mulher que já foi dele com um sutil, mas significativo toque. E é nesse exato segundo, distraída com a pseudo delicadeza do gesto, que você se transforma numa mulher-poste. Aí não tem mais jeito. O cara que você nunca teve de verdade já era, o cara que te interessava já era e você também já era, marcada por uma coisa que nem existe mais, que você já superou e que ele também já superou, mas que ele é muito pouco homem para simplesmente deixar ir. E antes que você pense que eu ia poupar você - e eu - dessa terrível constatação, aqui vai ela, eternizada na grande lamentação existencial de um poste, após receber a visita de um cachorro: sim, ele mijou em você.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

3 palavras sobre você

Pense agora três palavras que definam você ...
Agora pense quais as três palavras que os outros escolheriam para definir você...

      Pois bem, quando eu acho que toda a utilidade das redes sociais já se foram e que daqui pra frente só vigora blog, tumblr, flickr, orkut, facebook ... me apresentam o threewords.me. Já me sinto até meio ultrapassada hehe
É fácil, simples e mexe com o seu ego. Algo muito semelhante ao formspring, mas bem mais prático e objetivo. Típica febre da internet, com certeza. Fiz um para testar e mostrar aqui, provavelmente não continuo, mas a maioria das pessoas adora saber oque pensam a respeito delas ou falar escrachadamente oque pensam dos outros ... então, sucesso na certa.